quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Deus, um delírio

Nós vamos morrer, e isso nos torna afortunados. A maioria das pessoas nunca vai

morrer, porque nunca vai nascer. As pessoas potenciais que poderiam estar no meu

lugar, mas que jamais verão a luz do dia, são mais numerosas que os grãos de areia da

Arábia. Certamente esses fantasmas não nascidos incluem poetas maiores que Keats,

cientistas maiores que Newton. Sabemos disso porque o conjunto das pessoas

possíveis permitidas pelo nosso DNA excede em muito o conjunto de pessoas reais.

Apesar dessas probabilidades assombrosas, somos eu e você, com toda a nossa

banalidade, que aqui estamos...

Nós, uns poucos privilegiados que ganharam na loteria do nascimento,

contrariando todas as probabilidades, como nos atrevemos a choramingar

por causa do retorno inevitável àquele estado anterior, do qual a enorme

maioria jamais nem saiu?


 

Richard Dawkins